Home <> busca


Biografia

Conferências

Artigos

Textos na UNCTAD

Entrevistas

Livros

Prefácios

Na imprensa

Contato


<<Voltar

Artigos


Folha de S. Paulo - 2012

São Paulo - Brasil

 

Crise de inserção

Está em crise séria, talvez terminal, a inserção na economia mundial que o Brasil sempre desejou e planejou: a da exportação de manufaturas de crescente valor agregado

15/10/2012

 

Rubens Ricupero

 

Está em crise séria, talvez terminal, a inserção na economia mundial que o Brasil sempre desejou e planejou: a da exportação de manufaturas de crescente valor agregado. O que sustenta as contas externas é a outra inserção, não planejada e até indesejada por alguns: a das commodities.

Parecia no início que estava dando certo a estratégia de utilizar os ganhos de escala no Mercosul e na América Latina a fim de proporcionar à indústria nacional a competitividade nos mercados globais.

Mesmo nos melhores tempos, porém, a operação jamais ultrapassou a fase mais fácil: a do domínio do mercado nacional protegido e de alguns mercados latino-americanos, de forma parcial, em razão das preferências de acordos regionais.

Aumentou-se a exportação de manufaturados aos EUA devido à política das multinacionais americanas de produzir no Brasil e países de custo mais baixo. Mas isso foi antes que os acordos de livre-comércio tornassem o México o destino principal desses investimentos. Em relação à Europa e à Ásia, a penetração de manufaturas brasileiras foi sempre marginal.

Não tendo chegado a se completar, a estratégia sofre agora retrocessos. Primeiro, na América Latina, onde estudo da CNI (Confederação Nacional da Indústria) revela que em todos os nove países examinados, da Argentina à Venezuela, a parcela de mercado das vendas brasileiras encolheu ao longo do período de 2008 a 2011. A culpa não foi da crise mundial, pois nossos competidores tiveram desempenho superior, a China crescendo em todos os mercados.

Outro dado interessante é que, no primeiro trimestre de 2012, as exportações do Mercosul se expandiram em 7,5% para o resto do mundo, ao passo que diminuíam em 5,5% no interior do grupo. O resultado apenas confirma o que ocorre há anos: o comércio intrarregional está regredindo, já que o mercado para as commodities exportadas pelos membros se encontra basicamente na China e na Ásia.

O quadro não surpreende, uma vez que mesmo no mercado brasileiro a indústria não consegue concorrer com os importados. Em reação, o governo anuncia ofensiva para recuperar a competitividade interna atuando sobre juros, câmbio, crédito e o custo Brasil.

Falta à abordagem condição indispensável para funcionar: a estratégia que assegure um mínimo de concorrência externa.

A concorrência exterior não é luxo que possa esperar até sermos competitivos. Desde que não seja desleal, é essencial para conquistar a competitividade. Sem ela, o destino da indústria é o da lei de informática e da reserva de mercado automobilística.

Ao elevar alíquotas de cem produtos, o governo age como se pudesse descer do expresso do comércio mundial a fim de abordá-lo mais adiante. Quando? Mais 50 anos por causa dos automóveis? Quem nos garante até lá, as commodities e o pré-sal?

As primeiras dependem do setor ineficiente para seus insumos, caminhões, por exemplo, para transportar a safra e acabam perdendo a vantagem de custo.

Quanto ao pré-sal, parece que lhe rogaram praga, tantos os desastres que o comprometem. Se depois de tudo conseguirmos voltar ao vagão, será que nosso lugar não estará ocupado pelos concorrentes?


...


Anos

2012        2011        2010        2009        2008        2007        2006        2005        2004        2003        2002        2001        2000        1999        1998        1997        1996        1995       

 

 


<<Voltar